Covid-19: ajuste da oferta no meio ferroviário

Créditos da imagem: Helgoland01, via Flickr.

Os efeitos do novo surto de Coronavírus (Covid-19) também se fazem sentir nos transportes públicos, de tal modo que há que adaptar a oferta face à atual procura e de modo a garantir a segurança dos passageiros e de todos aqueles que trabalham no setor. Neste âmbito, o meio ferroviário não é exceção.

No caso da CP, foi suspensa a verificação dos títulos de transporte, sendo a validação facultativa, e, conforme foi referido num post anterior, a oferta foi reduzida em 25%, mantendo-se 75% dos comboios programados. Esta redução teve início no passado dia 18 de março e abrange os comboios Alfa Pendular, Intercidades, Regional, InterRegional e comboios Urbanos de Lisboa, Porto e Coimbra. Um dia antes, os comboios internacionais Sud-Expresso, Lusitânia-Comboio Hotel e Celta já tinham sido suspensos, tendo sido uma medida levada a cabo em colaboração com a operadora espanhola Renfe, face ao estado de emergência em Espanha. A transportadora garante a revalidação ou o reembolso do valor total do bilhete para os comboios que não se realizem, desde que tal seja feito até dez dias após a viagem programada.

Um dos percursos onde esta alteração se fez sentir foi na Linha de Sintra. No entanto, os utentes não se adaptaram facilmente a estes ajustes, tendo de fazer a viagem de pé e em modo sardinha enlatada, tornando difícil o cumprimento das normas da Direção-Geral de Saúde (DGS) face ao distanciamento de um metro. Mas a CP esteve atenta à situação, e recuou na decisão, tendo repostos 18 circulações diárias: 12 no sentido Sintra – Lisboa pela manhã, e mais seis no sentido inverso ao final do dia.

No que toca ao tarifário, a CP suspendeu a fiscalização dos títulos de transporte, abriu os pórticos nas linhas de Sintra e Cascais, e passou a disponibilizar para venda apenas 1/3 dos lugares nos comboios de Longo Curso, de modo a aumentar a distância de segurança e reduzir o risco de contágio. Além disso, desde o passado dia 23 de março que não é permitido o transporte de bicicletas nos comboios.

A Linha de Sintra é um dos percursos abrangidos pela redução da oferta. Face às críticas dos utentes, a CP repôs 18 comboios. Créditos da imagem: Nuno Morão.

Também na Fertagus foram implementados novos horários, que entraram em vigor no dia 24 de março. Basicamente, as alterações resumem-se à manutenção das frequências dos comboios em 20 minutos entre Lisboa e Coina e de uma hora entre Lisboa e Setúbal no corpo do dia, com algumas circulações a serem efetuadas com comboios duplos nas horas de ponta da manhã e da tarde. Os novos horários já se encontram disponíveis para consulta no site da empresa.

Um comboio da Fertagus em Campolide, Lisboa. Créditos da imagem: Ahrend01, via Flickr.

Passemos agora aos sistemas de metropolitano. Em Lisboa, foram ajustados os tempos de espera entre composições, que passam a ser semelhantes aos que são praticados aos fins-de-semana e feriados. Ao longo do dia, mantém-se a exploração com comboios de seis carruagens, sendo reduzido para três carruagens no período noturno.

Ainda no âmbito do plano de contingência do Metropolitano de Lisboa, são encerrados os átrios secundários das seguintes estações:

Linha Azul:
Jardim Zoológico/Átrio Norte
Pç. Espanha/ Átrio Norte
S. Sebastião I / Átrio Sul
Marquês de Pombal I/ Átrio Sul
Avenida/ Átrio Sul
Restauradores/ Átrio Norte

Linha Amarela:
Odivelas/ Átrio Inferior
Senhor Roubado/ Átrio Sul
Lumiar/ Átrio Sul
Quinta das Conchas/ Átrio Norte
Entre Campos/ Átrio Norte
Campo Pequeno/ Átrio Sul
Saldanha I/ Átrio Norte
Picoas/ Átrio Sul

Linha Verde:
Rossio/ Átrio Norte
Anjos/ Átrio Norte
Intendente/ Átrio Norte
Roma/ Átrio Norte
Alvalade/ Átrio Sul

Foram também abertos os canais de validação, para que os passageiros não tenham a necessidade de validar o passe, reduzindo o risco de contágio. Para já, esta medida mantém-se em vigor até ao próximo dia 31 de março, dia pelo qual será reavaliada.

Uma composição do Metro de Lisboa em Telheiras. Créditos da imagem: Cornelius Kibelka.

Por outro lado, o Metro do Porto mantém o horário de exploração das 06h à 01h, e desde 21 de março assegura uma oferta que procura cumprir as orientações de saúde publica em matéria de distancia social, tendo como objetivo fundamental cumprir as recomendações de saúde e segurança e assegurar a eficácia dos procedimentos de autoprotecção por parte de todos os clientes. A oferta será monitorizada permanentemente, e pode ser ajustada face à procura que vai sendo registada. Desde o passado dia 18 de março que foram desligadas as máquinas de venda de título de transporte e os validadores da rede do metro. Os novos horários e frequências podem ser consultados no site da empresa.

Uma composição do Metro do Porto na Ponte Luiz I. Créditos da imagem: Barcex, via Flickr.

Na Margem Sul, a Metro Transportes do Sul (MTS) está a praticar horários correspondentes aos domingos e feriados desde o dia 23 de março. Outras medidas implementas pela empresa passam pela abertura de todas as portas do veículo por parte dos agentes de condução, eliminando a necessidade de os passageiros carregarem nos botões presentes no interior e exterior dos mesmos. Esta medida, claro, visa proteger os clientes e funcionários.

Uma composição da Metro Transportes do Sul à saída de Cacilhas, Almada. Créditos da imagem: Jan Dreesen.

Por fim, e ainda no modo ferroviário, de referir que a Carris, empresa municipal de transportes de Lisboa, implementou medidas de segurança para fazer face à epidemia. Tal como nos autocarros, as validações são facultativas, a venda de títulos de transporte encontra-se suspensa, as entradas e saídas passam a ser feitas sempre pelas portas traseiras, e os veículos passam a imobilizar-se em todas as paragens, para que os clientes não tenham de carregar no botão de stop. Para além disso, foram colocadas fitas delimitadoras do posto do tripulante, que deverão ser respeitadas pelos passageiros. Também nos elevadores da Glória, da Bica e do Lavra a venda de títulos de transporte encontra-se suspensa, e no que toca ao elevador da Bica é vedado aos passageiros o compartimento do guarda-freio.

Desde o dia 25 de março, foram feitas as seguintes alterações aos horários:

24E e ascensores: suspensão do funcionamento;
28E: horários de novembro a fevereiro;
15E: suspensão do funcionamento dos reforços efetuados com autocarros, o que significa que apenas circulam elétricos neste percurso.

O elétrico constitui um ponto turístico de Lisboa, apesar de também ser frequentado por quem reside e trabalha na cidade. Créditos da imagem: Alonso Javier Torres.

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