
Depois de no passado dia 23 de março ter proibido o transporte de bicicletas nos seus comboios, a CP volta a permitir o transporte destes veículos de duas rodas a partir da próxima segunda-feira. A restrição estava associada ao plano de contingência da empresa no âmbito do combate ao novo surto de coronavírus Covid-19. Nos últimos dias, várias pessoas questionaram a empresa acerca da manutenção desta proibição, mesmo depois do país ter deixado o estado de emergência.
Foi criada uma petição online a pedir ao ministro das Infraestruturas Pedro Nuno Santos o fim desta proibição. “No dia 4 de Maio, foi alterado o estado de emergência para estado de calamidade. Previa-se por parte da CP uma mudança de estratégia referente aos seus clientes utilizadores de bicicleta. Uma medida que seria importantíssima para a sociedade, pois um utilizador de bicicleta contribui para a prevenção de grandes aglomerados em outros transportes públicos dentro das grandes cidades, como o metro e autocarro”, escrevem os signatários da petição.
A Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB) e a Associação para a Mobilidade Urbana em Bicicleta (MUBi) também alertaram o ministro Pedro Nuno Santos acerca do problema, e pediram uma audiência em conjunto com o secretário de Estado das Infraestruturas e a administração da CP para terminarem com a suspensão do serviço. “A intermodalidade da bicicleta com os transportes públicos é, para muitas pessoas que agora retomam as suas deslocações pendulares, uma das melhores alternativas ao uso do automóvel individual. Contribui para o descongestionamento das cidades, para a redução da poluição do ar, factor associado a taxas mais elevadas de mortalidade por covid-19, e para a resiliência dos sistemas de transporte”, explicou a MUBi.
Num comunicado enviado à imprensa, a MUBi salienta os benefícios do uso da bicicleta, entre os quais o reforço do sistema imunitário e a redução dos riscos de várias doenças, nomeadamente a diabetes e a obesidade, devendo, por isso, ser estimulada, em vez de se restringir a sua utilização. Para além disso, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a utilização da bicicleta em deslocações essenciais durante a pandemia de Covid-19. A OMS acrescenta que os operadores de transportes públicos terão de estar preparados para um aumento da capacidade do transporte de bicicletas, e nunca o inverso.