CP suprime comboios de longo curso no período da Páscoa

Créditos da imagem: Ruben Ramalho

A CP – Comboios de Portugal vai suspender a circulação dos comboios de longo curso entre os dias 09 e 13 de abril, na sequência das restrições aplicadas às deslocações em território nacional para fazer face ao surto de Covid-19.

Na prática, os comboios do serviço Alfa Pendular vão ficar parados, e no serviço Intercidades apenas circularão comboios de Lisboa para Évora e de Casa Branca para Beja, uma vez que nestes eixos não existe serviço regional. Por outro lado, não irão existir ligações entre Lisboa e Faro. No site da CP já foram divulgados os horários dos comboios Intercidades que circulam por estes dias.

Ainda assim, será possível circular entre Lisboa e o Porto, mas apenas através dos comboios regionais, que param em quase todas as estações e apeadeiros e na maioria dos casos, obrigam a transbordo, pelo que as viagens demorarão entre cinco e seis horas. O mesmo acontece na linha da Beira Alta, cujas viagens entre Lisboa e a Guarda demorarão até nove horas, e entre cinco e seis horas no percurso Lisboa – Covilhã.

Estes não são os primeiros cortes feitos pela CP em pleno cenário de epidemia. Anteriormente, a transportadora portuguesa já tinha reduzido a oferta regular em 55% nos Alfas Pendulares, 85% nos Intercidades e 80% nos suburbanos. O novo plano de contingência garante uma oferta em 30% na generalidade dos comboios suburbanos e regionais.

Para além da redução da oferta, a CP também eliminou o serviço de bar e tem procedido à desinfeção das carruagens, de modo a proteger os maquinistas e os passageiros que por estes dias precisam de se deslocar.

Outra medida implementada pela empresa consiste na possibilidade de adquirir títulos de transporte para os comboios regionais e inter-regionais através do site e da aplicação da CP, quando anteriormente tal era possível apenas para os serviços Alfa Pendular e Intercidades. A redução da oferta em 25% ditou uma quebra de receitas na ordem dos 95%.

Em comunicado, a CP alerta os clientes “para a necessidade de cumprimento das regras de recolhimento domiciliário e da limitação à circulação no período da Páscoa, num contributo essencial para evitar a transmissão do vírus e conter a expansão da doença Covid-19”.

Num vídeo publicado recentemente na página da CP no Facebook, a empresa solicita aos passageiros que adiem os seus planos e fiquem em casa, esperando que brevemente a situação normalize, para que seja possível descobrir Portugal de comboio sem preocupações.

Infraestruturas de Portugal adjudica empreitada de modernização da Linha do Oeste

A estação de Torres Vedras, em outubro de 2011. Créditos da imagem: Tiago Miranda.

A Infraestruturas de Portugal (IP) adjudicou recentemente a empreitada para a modernização da Linha do Oeste, entre as estações de Mira Sintra-Meleças e Torres Vedras. O projeto está orçamentado em 61,5 milhões de euros e faz parte do Programa Ferrovia 2020.

O objetivo desta obra passa por eletrificar e requalificar este troço de 43 quilómetros, envolvendo os seguintes trabalhos, mencionados no site da IP:

• Criação de dois desvios ativos, com uma extensão total de 16 quilómetros, para permitir o cruzamento de comboios sem necessidade de paragem;
• Desvio ativo 1: com cerca de 10 quilómetros, entre a estação de Mira Sintra-Meleças e o apeadeiro de Pedra Furada;
• Desvio ativo 2: com cerca de 6 quilómetros, entre a estação da Malveira e o quilómetro 44,3 (a sul do Túnel da Sapataria);
• Eletrificação integral do troço no sistema 2 x 25kV – 50 Hz;
• Trabalhos de beneficiação em cinco estações e seis apeadeiros, com a criação de acessos para pessoas com mobilidade condicionada às plataformas de passageiros e alteamento das plataformas;
• Automatização e supressão de Passagens de Nível;
• Construção de nove passagens desniveladas;
• Reabilitação estrutural e rebaixamento da plataforma ferroviária para colocação da catenária nos túneis de Sapataria, Boiaca, Cabaço e Certã;
• Instalação de Sinalização Eletrónica, Telecomunicações e GSM-R (a presente empreitada a lançar tem a cargo a execução de caminhos de cabos, preparação de salas técnicas e instalação de antenas);
• Instalação do Sistema de Retorno de Corrente de Tração e Terras de Proteção.

O contrato desta empreitada será remetido para o Tribnal de Contas, de modo a obter o necessário Visto Prévio para o início dos trabalhos. Após a atribuição de luz verde terão início a consignação da empreitada e os trabalhos no terreno.

Após a eletrificação e modernização do troço Mira Sintra-Meleças – Torres Vedras terá início a segunda empreitada, correspondente à eletrificação e modernização do troço Torres Vedras – Caldas da Rainha. No total, serão investidos cerca de 155 milhões de euros comparticipados por Fundos da União Europeia, através do Portugal 2020. no âmbito do COMPETE 2020, englobando o desenvolvimento de Estudos e Projetos, a execução de duas Empreitadas de eletrificação, via-férrea, construção civil e obras geotécnicas.

Do mesmo modo, serão desenvolvidas empreitadas referentes à construção de passagens superiores e inferiores, bem como estruturas de proteção e estabilização da plataforma, a modernização e adaptação dos cais de passageiros, a conceção e execução de uma subestação de tração e de postos autotransformadores, e a realização de seis Empreitadas para a Sinalização e Telecomunicações.

Com a modernização da Linha do Oeste, entre Mira Sintra-Meleças e Caldas da Rainha, pretende-se melhorar a eficiência e competitividade do sistema ferroviário, ao aumentar a capacidade, segurança e fiabilidade da exploração e pela redução dos tempos de trajeto.

Ainda de acordo com a IP, durante a execução da empreitada serão implementados os Planos de Contingência de mitigação da situação epidemiológica provocada pela COVID-19 definidos pela IP e pela empresa que irá executar os trabalhos.

O projeto integra a candidatura aprovada pelo COMPETE 2020, com a designação “Linha do Oeste – Modernização do Troço Meleças-Caldas da Rainha”, na qual se prevê um financiamento comunitário de 85%.

Covid-19: desinfecção das carruagens e estações da CP e Metro de Lisboa

Créditos da imagem: José Carlos Barbosa.

Os efeitos da pandemia do novo surto de Coronavírus (Covid-19) leva as operadoras de transporte a tomarem medidas drásticas. Uma dessas medidas passa pela desinfecção das estações e das carruagens, com foco nas partes mais utilizadas pelos passageiros e profissionais (cabines de condução, casas-de-banho, bancos, varões, pegas, vidros, mesas, compartimentos de bagagem, etc.), através da utilização do produto Microbe Shield Z-71 da marca Zoono.. Neste artigo, mostramos imagens da CP – Comboios de Portugal e do Metropolitano de Lisboa referentes a esta operação.

No caso da CP, as operações de desinfecção têm sido reforçadas desde o passado dia 16 de março. Como tal, foram adquiridos 32 pulverizadores a ditribuir pelos vários parques de manutenção e oficinais. Estes equipamentos vêm abastecidos com produtos desinfetantes recomendados pela Direção-Geralde Saúde (DGS), aplicados nos mais de mil veículos ferroviários da CP, nomeadamente carruagens, locomotivas e automotoras. A evolução da situação de pandemia tem sido acompanhada em permanência pela CP, em conjunto com as autoridades e a tutela governamental, de modo a ajustar a operação face às necessidades e exigências de cada momento.

Um vídeo da CP – Comboios de Portugal mostrando a operação de desinfecção do material circulante. Retirado do Facebook da empresa.
Desinfecção das carruagens do serviço Alfa Pendular. Vídeo retirado do Facebook da CP.

No caso do Metropolitano de Lisboa, foi concluída a primeira fase da desinfecção do material circulante e das estações através da aplicação deste produto. Esta medida teve início na estação de Telheiras (linha Verde) no dia 15 de março e durou até dia 19 do mesmo mês.

O produto Microbe Shield Z-71 é uma nova e disruptiva tecnologia de desinfeção física, inócua para os humanos e animais mas mortal para uma ampla variedade de bactérias, fungos, leveduras e vírus, nomeadamente o coronavírus que causa a COVID-19. De acordo com a empresa, o produto foi testado segundo a norma europeia EN14476 para várias estirpes de coronavírus, tendo revelado uma eficácia superior a 99,99% ao fim de 5 minutos.

Nos comboios o desinfetante foi aplicado nas cabines de condução do maquinista e nos salões de passageiros, nomeadamente nos bancos, varões, pegas, vidros e outras superfícies. Nas estações, foi aplicado nos corrimões das escadas fixas e mecânicas, mobiliário de estação, máquinas automáticas de venda de títulos de transporte, cabines e postos de venda, elevadores e outras instalações.

A aplicação deste produto foi feita através de nebulização nos espaços, com equipamento de nebulização elétrico. Não contém álcool nem produtos químicos nocivos, e é mais eficaz que os outros desinfetantes com uma ação duradoura e prolongada, com o efeito biocida a manter-se ativo durante 30 dias.

Depois da aplicação, o produto deixa uma camada microscópia de “espinhos” que destroem os microrganismos. A limpeza de rotina não interfere com a sua ação, reforçada todas as semanas com o mesmo produto, mas através de aplicação manual, nas superfícies mais críticas.

Acrescenta a empresa que o produto é aplicado por uma equipa especializada e especificamente formada, supervisionada pelo representante da Zoono em Portugal, com o efeito biocida ativo do produto a ser monitorizado pelo representante da empresa.

Além disso, a limpeza de rotina não interfere com a sua ação, reforçada semanalmente com o mesmo produto, e através de aplicação manual nas superfícies mais críticas.

Um vídeo do Metropolitano de Lisboa mostrando o processo de desinfecção das estações e do material circulante. Vídeo de Pedro Vilela Lopes, retirado do Facebook da empresa.

Covid-19: ajuste da oferta no meio ferroviário

Créditos da imagem: Helgoland01, via Flickr.

Os efeitos do novo surto de Coronavírus (Covid-19) também se fazem sentir nos transportes públicos, de tal modo que há que adaptar a oferta face à atual procura e de modo a garantir a segurança dos passageiros e de todos aqueles que trabalham no setor. Neste âmbito, o meio ferroviário não é exceção.

No caso da CP, foi suspensa a verificação dos títulos de transporte, sendo a validação facultativa, e, conforme foi referido num post anterior, a oferta foi reduzida em 25%, mantendo-se 75% dos comboios programados. Esta redução teve início no passado dia 18 de março e abrange os comboios Alfa Pendular, Intercidades, Regional, InterRegional e comboios Urbanos de Lisboa, Porto e Coimbra. Um dia antes, os comboios internacionais Sud-Expresso, Lusitânia-Comboio Hotel e Celta já tinham sido suspensos, tendo sido uma medida levada a cabo em colaboração com a operadora espanhola Renfe, face ao estado de emergência em Espanha. A transportadora garante a revalidação ou o reembolso do valor total do bilhete para os comboios que não se realizem, desde que tal seja feito até dez dias após a viagem programada.

Um dos percursos onde esta alteração se fez sentir foi na Linha de Sintra. No entanto, os utentes não se adaptaram facilmente a estes ajustes, tendo de fazer a viagem de pé e em modo sardinha enlatada, tornando difícil o cumprimento das normas da Direção-Geral de Saúde (DGS) face ao distanciamento de um metro. Mas a CP esteve atenta à situação, e recuou na decisão, tendo repostos 18 circulações diárias: 12 no sentido Sintra – Lisboa pela manhã, e mais seis no sentido inverso ao final do dia.

No que toca ao tarifário, a CP suspendeu a fiscalização dos títulos de transporte, abriu os pórticos nas linhas de Sintra e Cascais, e passou a disponibilizar para venda apenas 1/3 dos lugares nos comboios de Longo Curso, de modo a aumentar a distância de segurança e reduzir o risco de contágio. Além disso, desde o passado dia 23 de março que não é permitido o transporte de bicicletas nos comboios.

A Linha de Sintra é um dos percursos abrangidos pela redução da oferta. Face às críticas dos utentes, a CP repôs 18 comboios. Créditos da imagem: Nuno Morão.

Também na Fertagus foram implementados novos horários, que entraram em vigor no dia 24 de março. Basicamente, as alterações resumem-se à manutenção das frequências dos comboios em 20 minutos entre Lisboa e Coina e de uma hora entre Lisboa e Setúbal no corpo do dia, com algumas circulações a serem efetuadas com comboios duplos nas horas de ponta da manhã e da tarde. Os novos horários já se encontram disponíveis para consulta no site da empresa.

Um comboio da Fertagus em Campolide, Lisboa. Créditos da imagem: Ahrend01, via Flickr.

Passemos agora aos sistemas de metropolitano. Em Lisboa, foram ajustados os tempos de espera entre composições, que passam a ser semelhantes aos que são praticados aos fins-de-semana e feriados. Ao longo do dia, mantém-se a exploração com comboios de seis carruagens, sendo reduzido para três carruagens no período noturno.

Ainda no âmbito do plano de contingência do Metropolitano de Lisboa, são encerrados os átrios secundários das seguintes estações:

Linha Azul:
Jardim Zoológico/Átrio Norte
Pç. Espanha/ Átrio Norte
S. Sebastião I / Átrio Sul
Marquês de Pombal I/ Átrio Sul
Avenida/ Átrio Sul
Restauradores/ Átrio Norte

Linha Amarela:
Odivelas/ Átrio Inferior
Senhor Roubado/ Átrio Sul
Lumiar/ Átrio Sul
Quinta das Conchas/ Átrio Norte
Entre Campos/ Átrio Norte
Campo Pequeno/ Átrio Sul
Saldanha I/ Átrio Norte
Picoas/ Átrio Sul

Linha Verde:
Rossio/ Átrio Norte
Anjos/ Átrio Norte
Intendente/ Átrio Norte
Roma/ Átrio Norte
Alvalade/ Átrio Sul

Foram também abertos os canais de validação, para que os passageiros não tenham a necessidade de validar o passe, reduzindo o risco de contágio. Para já, esta medida mantém-se em vigor até ao próximo dia 31 de março, dia pelo qual será reavaliada.

Uma composição do Metro de Lisboa em Telheiras. Créditos da imagem: Cornelius Kibelka.

Por outro lado, o Metro do Porto mantém o horário de exploração das 06h à 01h, e desde 21 de março assegura uma oferta que procura cumprir as orientações de saúde publica em matéria de distancia social, tendo como objetivo fundamental cumprir as recomendações de saúde e segurança e assegurar a eficácia dos procedimentos de autoprotecção por parte de todos os clientes. A oferta será monitorizada permanentemente, e pode ser ajustada face à procura que vai sendo registada. Desde o passado dia 18 de março que foram desligadas as máquinas de venda de título de transporte e os validadores da rede do metro. Os novos horários e frequências podem ser consultados no site da empresa.

Uma composição do Metro do Porto na Ponte Luiz I. Créditos da imagem: Barcex, via Flickr.

Na Margem Sul, a Metro Transportes do Sul (MTS) está a praticar horários correspondentes aos domingos e feriados desde o dia 23 de março. Outras medidas implementas pela empresa passam pela abertura de todas as portas do veículo por parte dos agentes de condução, eliminando a necessidade de os passageiros carregarem nos botões presentes no interior e exterior dos mesmos. Esta medida, claro, visa proteger os clientes e funcionários.

Uma composição da Metro Transportes do Sul à saída de Cacilhas, Almada. Créditos da imagem: Jan Dreesen.

Por fim, e ainda no modo ferroviário, de referir que a Carris, empresa municipal de transportes de Lisboa, implementou medidas de segurança para fazer face à epidemia. Tal como nos autocarros, as validações são facultativas, a venda de títulos de transporte encontra-se suspensa, as entradas e saídas passam a ser feitas sempre pelas portas traseiras, e os veículos passam a imobilizar-se em todas as paragens, para que os clientes não tenham de carregar no botão de stop. Para além disso, foram colocadas fitas delimitadoras do posto do tripulante, que deverão ser respeitadas pelos passageiros. Também nos elevadores da Glória, da Bica e do Lavra a venda de títulos de transporte encontra-se suspensa, e no que toca ao elevador da Bica é vedado aos passageiros o compartimento do guarda-freio.

Desde o dia 25 de março, foram feitas as seguintes alterações aos horários:

24E e ascensores: suspensão do funcionamento;
28E: horários de novembro a fevereiro;
15E: suspensão do funcionamento dos reforços efetuados com autocarros, o que significa que apenas circulam elétricos neste percurso.

O elétrico constitui um ponto turístico de Lisboa, apesar de também ser frequentado por quem reside e trabalha na cidade. Créditos da imagem: Alonso Javier Torres.