
Recentemente a Renfe, congénere espanhola da CP, deu conta da finalização do contrato de restauração e serviços a bordo dos comboios AVE (Alta Velocidad Espanõla) e Larga Distancia celebrado desde 2013 através da companhia Ferrovial Servicios. A medida, que deverá ser retificada pelo conselho de administração da empresa, afeta cerca de 2.000 trabalhadores, que serão relegados para o desemprego.
O contrato foi renovado no dia 30 de novembro do último ano e iria durar até ao próximo dia 30 de abril, devido ao atraso da empresa no que toca à contratação de um novo serviço, dividido em duas licitações no valor de 28,95 milhões de euros que agora ficam sem efeito. No entanto, a epidemia de Covid-19 tinha deixado evidente que há já algumas semanas grande parte dos trabalhadores da Ferrovial Servicios iriam ser abrangidos por um Expediente de Regulação de Emprego Temporal (ERTE). A medida também está por detrás da redução da oferta de alta velocidade da Renfe em 85% e da limitação dos lugares dos passageiros a 1/3, de modo a que se possa garantir o cumprimento da distância de segurança.

No geral, à quinta semana do estado de emergência em Espanha verifica-se uma redução em 98% da mobilidade ferroviária, conforme deu a entender Ábalos, um deputado do Partido Socialista dos Trabalhadores Espanhóis. Deste modo, a Renfe optou por prescindir dos serviços prestados pela Ferrovial para os comboios dos serviços AVE e Larga Distancia, não se sabendo, para já, detalhes acerca da reformulação do serviço nem se irá substituir a maioria dos seus trabalhadores. Certo é que numa primeira fase da normalidade espera-se um retorno do serviço com limitações na capacidade dos comboios e sem serviço de bar.
“O governo está a investir em muitos recursos para evitar que as empresas despeçam os trabalhadores e não entendemos porque razão não se exploram outras alternativas”, explicou uma fonte da transportadora ao CCOO (Confederación Sindical de Comisiones Obreras).
De acordo com fontes sindicais espanholas, a adjudicação do contrato teria de ser aprovado no conselho de administração de março, com a empresa a mostrar-se disponível para uma reformulação dos preços com as novas condições de mercado, o que colocaria em risco os contratos dos trabalhadores.
Os serviços de restauração e serviços a bordo correspondem aos maiores contratos da Renfe, e para a Ferrovial o fim deste projeto apresentaria um impacto significativo.