Ligação ferroviária Évora – Badajoz põe de parte o serviço de passageiros em Elvas

A automotora Allan 0354 em Elvas. Créditos da imagem: Pedro Mendes.

A IP – Infraestruturas de Portugal está a construir uma nova linha ferroviária entre Évora e Badajoz, já em Espanha, que deverá entroncar na fronteira do Caia, na Linha do Leste, perto da estação de Elvas. No entanto, o traçado definido para este percurso exclui esta estação, o que inviabiliza o serviço de passageiros nesta cidade. Do mesmo modo, também não está contemplada a construção de uma nova estação, que teria um custo marginal face aos 480 milhões de euros investidos na empreitada.

Assim, os comboios de passageiros procedentes de Lisboa e com destino a Évora teriam de andar mais quatro quilómetros e inverter a sua marcha na estação de Elvas, de modo a prosseguir depois à fronteira luso-espanhola. Estas manobras iriam penalizar a viagem em cerca de 10 a 15 minutos, numa linha preparada para velocidades na ordem dos 250 km/h.

Em declarações ao jornal Público (acesso pago), a CP – Comboios de Portugal explicou que esta situação reduz o potencial face a soluções de transporte de passageiros que possam vir a ser definidos para a região. A atual administração da empresa está a estabelecer contactos com o Ministério das Infraestruturas e da Habitação, com o objetivo de descobrir a melhor forma de servir o local e definir condições que permitam viabilizar o serviço comercial de passageiros.

Esta foi uma possibilidade discutida pelo Ministério das Infraestruturas, que afirmou que com esta ligação os comboios Intercidades que atualmente fazem o percurso Lisboa – Évora ficariam a duas horas de Badajoz, caso aí fossem prolongados. Por outro lado, Évora ficaria a meia-hora da fronteira espanhola.

O projeto que está em desenvolvimento e foi definido pelo Governo como a maior linha ferroviária do último século constitui um downgrade face ao antigo projeto de alta velocidade entre Lisboa e Madrid, que incluía a construção de uma linha dupla para alta velocidade e uma linha de via única para mercadorias. Mais tarde, no período do pós-troika, o Governo atual mudou de ideias, e definiu que apenas seja construída uma via única para mercadorias, com perfil de alta velocidade.

O traçado previsto para a futura linha Évora – Badajoz. Fonte: Público.

Ao Público, o Ministério das Infraestruturas e Habitação respondeu que o atual projeto “tem uma velocidade de traçado sempre igual ou superior a 250 Km/hora, pelo que pode ser classificada como uma linha de alta velocidade, de acordo com a directiva 96/48/EC”, para além de que a prioridade ao transporte de mercadorias “não pode comprometer as
ambições futuras para o transporte de passageiros, em particular, a possibilidade de ligar Lisboa a Madrid num tempo inferior a três horas”
.

No anterior projeto estava prevista a construção de uma única estação para a alta velocidade, que iria servir em simultâneo Elvas e Badajoz. No entanto, o investimento caiu por terra quando se optou por passar à construção de uma linha focada para o transporte de mercadorias.

Acerca da construção de uma futura estação em Elvas, o Ministério respondeu que “as condições operacionais que possibilitam os futuros serviços ferroviários a Elvas foram devidamente ponderados no planeamento desta ligação, tendo em conta o longo prazo e uma escala geográfica bastante mais alargada”. Assim, os investimentos que serão agora aplicados deverão ser aproveitados no futuro.

AUTARCAS pedem que população não seja esquecida

O projeto foi entretanto contestado por autarcas e empresários do Alentejo. que recusam a ficar ver passar os comboios numa linha desenhada para o transporte de contentores entre o porto de Sines e Badajoz, deixando de parte as populações e a atividade económica da região.

O presidente da Comunidade Intermunicipal do Alentejo (CIMAC), José Calixto, defende a construção de um entreposto de mercadorias para servir a denominada “Zona dos Mármores” e produtos endógenos da região como vinhos, cortiça e carne de porco, que será exportada para a China. Para além disso, existe um protocolo entre a IP e a associação de municípios para a construção de uma estação entre as localidades de Redondo e Alandroal, que poderá se situar num dos cruzamentos técnicos projetados.

Tal investimento seguiria o Plano Regional de Ordenamento do Território do Alentejo (PROTA), aprovado pelo Conselho de Ministros em 2010, que aposta no fortaleciento e na qualificação do Eixo Urbano dos Mármores, Estremoz-Borba-Vila Viçosa-Alandroal e Sousel, que será atravessado pela futura ligação ferroviária Évora – Elvas.

O projeto foi reivindicado pelo deputado do PCP João Oliveira, eleito por Évora. A Assembleia da República deu luz verde à construção de uma infraestrutura na zona do Alandroal que poderia servir de entreposto para mármores e outras mercadorias, bem como uma estação ou apeadeiro que também contemplasse os passageiros.

Por outro lado, o presidente da câmara de Elvas, Nuno Mocinha, eleito pelo PS, levantou uma série de dúvidas face ao projeto. Inicialmente, ficou com a ideia de que esta linha era apenas para o serviço de mercadorias, mas face à possibilidade de Badajoz poder ficar a duas horas de Lisboa através do serviço Intercidades, não compreende porque razão não está prevista a construção de uma nova estação que sirva a cidade, apesar de atualmente existir uma interface, junto ao terminal de mercadorias.

“A câmara nunca foi ouvida sobre essa questão dos passageiros. Primeiro íamos ter o TGV e ficámos todos contentes; depois, de repente, não íamos ter nada; depois falaram-nos em recuperar a Linha do Leste [Entroncamento — Portalegre — Elvas], mas não vimos nada; e depois soubemos desta linha Évora – Elvas e já ficámos outra vez satisfeitos”, disse o autarca, em declarações ao Público.

Já João Pires, da Associação Empresarial de Elvas, considera injusto que o futuro traçado não contempla os passageiros, e defende a construção de uma nova estação em Elvas, para que seja possível apanhar um comboio que demore duas horas para chegar a Lisboa. Atualmente, os autocarros da Rede Expressos demoram cerca de três horas a fazerem o mesmo percurso.

Concluídas obras de requalificação da via no Ramal de Tomar

O apeadeiro de Carrascal-Delongo, no Ramal de Tomar. Créditos da imagem: Valério Santos.

Recentemente a IP – Infraestruturas de Portugal concluiu os trabalhos de requalificação da via no Ramal de Tomar, mais precisamente entre os quilómetros 2,156 e 6,274. Com esta empreitada, ficam garantidas as condições de segurança, qualidade e disponibilidade desta importante infraestrutura ferroviária, bem como os níveis de comodidade e de serviço para os utilizadores deste percurso.

Ao todo, a empreitada teve um custo de cerca de 2,4 milhões de euros, e contou com as seguintes etapas:

  • Substituição integral das travessas de madeira por travessas de betão bibloco;
  • Substituição de carril em barra curta por carril em barra longa soldada;
  • Desguarnecimento, rebalastragem e ataque mecânico pesado;
  • Beneficiação do sistema de drenagem em toda a extensão do troço.

Esta empreitada consiste na primeira fase do projeto referente à renovação da via do Ramal de Tomar, que a IP espera dar continuidade ainda este ano.

O projeto de execução foi desenvolvido pela IP Engenharia, tendo a gestão, a coordenação e a fiscalização dos trabalhos sido levados a cabo por meios internos da IP.

Ponte ferroviária do Jamor com tratamento anticorrosivo

Créditos da imagem: José Sousa.

A IP – Infraestruturas de Portugal está a realizar trabalhos de tratamento anticorrosivo na ponte ferroviária do Jamor, situada ao quilómetro 9,671 da Linha de Cascais.

A empreitada de manutenção tem uma duração estimada em 180 dias e um custo orçamental de 372 mil euros, e tem como objetivo garantir bons índices de fiabilidade, comportamento estrutural e de segurança da estrutura.

Estes trabalhos de conservação levados a cabo pela IP são fundamentais para a preservação e manutenção das estruturas metálicas da ponte, de modo a diminuir os efeitos da exposição à humidade, salinidade e poluição, que proporcionam ambientes agressivos perante a estrutura.

Durante os trabalhos de conservação as equipas internas da Brigada de Execução de Pontes irão substituir elementos como peças metálicas e trabalhos nos aparelhos de apoio.

A execução do projeto não terá interferência com a normal circulação de comboios na Linha de Cascais.

Face ao contexto atual, estão a ser implementados os Planos de Contingência de mitigação da situação epidemiológica provocada pela COVID-19, determinados pela IP e pela empresa que está a executar os trabalhos.

IP lança empreitada de beneficiação da Linha de Cascais

Créditos da imagem: Nuno Morão.

No passado dia 28 de abril foi publicado em Diário da República um concurso público referente à contratação da empreitada de beneficiação da superestrutura de via da Linha de Cascais.

O projeto será executado pela IP – Infraestruturas de Portugal e está orçamentado em cerca de dois milhões de euros e consiste na requalificação da infraestrutura ferroviária entre os quilómetros 7,4 e 16, abrangendo três troços distintos:

  • Troço em Algés – do Km 7,4 ao Km 8,109;
  • Troço em Paço de Arcos – do Km 12,8 ao Km 14,040;
  • Troço em Santo Amaro – do Km 15,214 ao Km 15,790. 

Ao todo, serão intervencionados cerca de 2.517 metros em via dupla, estando envolvidos os seguintes trabalhos:

  • Substituição integral das travessas de madeira e bibloco, por travessas de betão monobloco;
  • Substituição de carril e transformação de barra curta em barra longa soldada.

Este projeto faz parte do plano de manutenção regular da IP, e tem como objetivo reforçar as condições de segurança, da qualidade da via e dos níveis de conforto e comodidade para todos os que utilizam a Linha de Cascais.

Nova série portuguesa com cenário nas estações de Porto-São Bento e Lisboa-Santa Apolónia

Recentemente começou a ser exibida uma nova série portuguesa intitulada “A Espia”. Parte do enredo desenrola-se nas estações de Porto-São Bento e Lisboa-Santa Apolónia.

A IP – Infraestruturas de Portugal apoia a produção televisiva nacional, tendo disponibilizado os espaços para as filmagens.

O enredo da série centra-se na vida dos espiões durante a Segunda Guerra Mundial em Portugal, e pode ser acompanhada todas as quartas-feiras pelas 21 horas na RTP1, estando o primeiro episódio disponível na plataforma de conteúdos RTP Play.

Sinopse da série “a espia”

Durante a Segunda Guerra Mundial operaram em Portugal diversas redes de espionagem. A ESPIA acompanha uma dessas redes, a rede Shell, liderada pelos britânicos, em Portugal entre 1941 e 1942, e que previa um plano de destruição de lugares-chave do país e de contraespionagem no caso de o País ser invadido pelos Alemães. A Produtora inspirou-se na rede Shell e em parte dos seus operacionais para criar duas espias: Maria João e Rose Lwason – Daniela Ruah e Maria João Bastos.

As protagonistas estão no centro de um tabuleiro de xadrez diplomático cujas jogadas são efetuadas em festas luxuosas, partidas de golfe, sabotagens, casinos, mensagens em código e assassinatos.

Para além das figuras femininas deste mundo misterioso, a série retrata também alemães e ingleses que lutam pelos seus interesses nacionais na vida noturna lisboeta e membros da Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE) e da Legião Portuguesa que tentam manter a neutralidade do país e a sua sobrevivência, num dos maiores conflitos mundiais que a Humanidade já testemunhou.

Filmada entre maio e julho de 2019, em Lisboa, Porto, Curia, Tomar, Figueira da Foz e Santiago de Compostela, a série foi escrita por Pablo Iraola, Raquel Palermo, Cláudia Clemente, Martim Baginha Cardoso, Pandora daCunha Telles e Snir Wein, a partir de uma ideia de Pandora da Cunha Telles, desenvolvida inicialmente por Rui Cardoso Martins e José de Pina. Com produção da UKBAR Filmes e realização de Jorge Paixão da Costa. 

Lançado concurso para empreitada na Linha da Beira Alta

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Créditos da imagem: Ruben Ramalho

No dia 30 de março foi publicado no Diário da República o concurso referente à modernização do troço Mangualde – Celorico da Beira, na Linha da Beira Alta. A empreitada tem um custo de 103 milhões de euros e insere-se no Programa de Modernização da Rede Ferroviária Nacional – Ferrovia 2020.

O projeto contempla a requalificação integral deste troço de 34 quilómetros sobre o canal atual da Linha da Beira Alta. Para o efeito, serão feitos trabalhos de substituição completa da superestrutura de via, utilizando travessas monobloco polivalentes em betão e carril 60 E1, e será alterado o layout das estações de Gouveia e Fornos de Algodres, de modo a permitir o cruzamento de comboios com 750 metros de comprimento e melhorar as condições de exploração.

Do mesmo modo, estão previstos trabalhos de reabilitação dos sistemas de drenagem, construção de obras de passagens superiores e inferiores adaptadas às instalações fixas de tração elétrica, e construção de infraestruturas de base para sinalização e telecomunicações RCT+TP.

Para além do troço Mangualde – Celorico da Beira, a IP – Infraestruturas de Portugal tem mais quatro empreitadas ligadas à Modernização da Linha da Beira Alta que estão em concurso ou em fase de contratação, representando um investimento global superior a 430 milhões de euros:

– Troço Pampilhosa-Santa Comba Dão (34 quilómetros) | Construção da Concordância da Mealhada (Ligação, com 3,2 quilómetros, entre a Linha do Norte e a Linha da Beira Alta) – Preço Base 80M€;
– Troço Cerdeira-Vilar Formoso (25 quilómetros) – Preço Base 50M€;
– Troço Celorico da Beira-Guarda (46 quilómetros) – Preço Base 90,4M€;
– Troço Santa Comba Dão-Mangualde (40 quilómetros) – Preço Base 112,2M€.

Em desenvolvimento está a intervenção da modernização do troço entre Guarda e Cerdeira, com 14 quilómetros de extensão, orçamentado em 8,7 milhões de euros.

Estas intervenções constituem uma importância fundamental na requalificação do caminho-de-ferro em Portugal, num percurso que faz parte do Corredor Internacional Norte e cuja concretização poderá potenciar a dinamização do transporte ferroviário, nas ligações inter-regionais e na ligação a Espanha.

A Linha da Beira Alta é considerada a principal ligação ferroviária à Europa e integra a rede “core” da Rede Transeuropeia de Transportes (RTE-T) e o Corredor Ferroviário de Mercadorias nº 4.

Ainda no âmbito do Plano de Investimentos Ferrovia 2020 constam outros projetos prioritários, como é o caso é o caso da ligação Porto/Aveiro – Vilar Formoso, através da Linha da Beira Alta, que procura reforçar a ligação do Norte e Centro de Portugal com a Europa por caminho-de-ferro, para que seja viabilizado o transporte de mercadorias eficiente e se potencie o aumento da competitividade da economia nacional.

A Empreitada do Troço Mangualde – Celorico da Beira integra a Ação 2015-PT-TM-0395-M – Ligação Ferroviária Aveiro-Vilar Formoso no Corredor Atlântico: Linha da Beira Alta (Pampilhosa-Vilar Formoso), e foi aprovada no âmbito do Programa CEF (Mecanismo Interligar a Europa), representando uma taxa de cofinanciamento de 85%.