
A Medway, empresa que resultou da privatização da antiga CP Carga, SA, quer que sejam aplicadas isenções fiscais e de portagem ferroviária, e lembrou que o transporte ferroviário de mercadorias é mais seguro que o rodoviário nas ligações entre Portugal e Espanha.
Em declarações proferidas esta sexta-feira ao jornal Público, o administrador da empresa, Carlos Vasconcelos, espera ter a oportunidade de aproveitar toda a capacidade disponível das vias férreas, com o facto de existirem muitos comboios suprimidos na sequência da pandemia de Covid-19. A ser aplicada, tal medida iria permitir uma redução nos tempos de viagem das tripulações, para que seja possível voltar à estação de origem no próprio dia, evitando assim a necessidade de dormir fora de casa e, consequentemente, estar exposto a um eventual contágio.
“A Medway está preparada para apoiar Portugal e está a assegurar em pleno as cadeias de abastecimento através do transporte ferroviário de mercadorias, tanto em fluxos nacionais como internacionais”, afirmou Carlos Vasconcelos, que acrescentou que a empresa está disponível para fortalecer o transporte de mercadorias por via ferroviária, permitindo uma aproximação das economias de Portugal e Espanha, que enfrentam as mesmas dificuldades.

O administrador da Medway aproveitou para lembrar as vantagens do transporte ferroviário de mercadorias face ao rodoviário, na medida em que um comboio com apenas dois motoristas pode transportar o equivalente a 40 camiões com 40 motoristas, uma vez que os maquinistas não precisam de parar em áreas de serviço nem fazer as suas refeições fora das composições. Para além do mais, assim que chegam à fronteira é possível trocar com equipas de outros países, facilitando o regresso a casa e a manutenção de um relativo confinamento.
Porém, se por um lado existem vantagens para a empresa, por outro tal acarreta custos para o Governo, que propôs à Medway a aplicação de medidas extraordinárias em tempos de crise. Assim, Carlos Vasconcelos pede que as empresas ferroviárias de transporte de mercadorias sejam isentas do pagamento da taxa de uso (portagem ferroviária) e taxa de capacidade pedida e não utilizada. Esta última situação aplica-se quando a empresa IP – Infraestruturas de Portugal, gestora da rede ferroviária nacional, solicita um canal horário para um comboio que posteriormente é suprimido, face a alterações de atividades programadas, na sequência do surto de Covid-19. Esta medida está já em vigor em países como a Alemanha, a Suíça, a Holanda e a França.
Entre outras formas de conter a situação atual, também constam reivindicações como a isenção ou redução fiscal no que toca ao custo da energia elétrica e combustíveis, bem como a isenção da taxa de estacionamento de material circulante no que toca à redução prevista da atividade.
Por fim, Carlos Vasconcelos também pede isenções fiscais ou o adiamento do pagamento de impostos e linhas de crédito no apoio aos terminais rodo-ferroviários.
De acordo com o administrador da Medway, estas medidas têm como objetivo apoiar quase em exclusivo a tesouraria e a sustentabilidade económica das empresas ferroviárias, de modo a enfrentar a ameaça provocada pela pandemia de Covid-19.
Na última segunda-feira, Carlos Vasconcelos explicou à agência de notícias Lusa que atualmente o impacto da crise na empresa ainda é reduzido tanto no segmento a granel como nos contentores. Em março foram suprimidos 8% dos comboios programados, sendo que existem outros fatores externos à empresa que ditam o cancelamento de viagens. Em relação aos comboios suprimidos, o presidente da Medway explica que não se registou nenhum impacto negativo nem positivo, mas houve um novo interesse pelo transporte ferroviário, já que tem sido registado um aumento de contactos com questões sobre o serviço e as suas condições.
Ao jornal Público, o presidente da Medway aproveitou para deixar um recado à Infraestruturas de Portugal: “o plano de investimento em curso Ferrovia 2020 não pode parar nem desacelerar, pelo contrário é essencial que seja mantido e cumprido, assegurando que o país ficará munido de capacidade de infra-estrutura ferroviária que tão necessária será para a recuperação económica”.
Atualmente, a Medway conta com uma média de 100 comboios diários, tendo capacidade para fazer mais quatro entre Portugal e Espanha, perfazendo uma capacidade média de 3000 toneladas. No entanto, esta média pode chegar às 6000, caso seja atingida a capacidade máxima das viagens de ida e volta.
É tudo uma mentira,visto que os maquinistas da Pampilhosa,estão a repousar mais fora.
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Apenas me baseei no jornal Público para escrever o artigo, e isso dos maquinistas dormirem na sua área de residência é uma proposta do administrador da Medway, o que esperemos que seja posta em prática.
Claro que atualmente não é o que acontece. Os maquinistas ainda têm de pernoitar onde for preciso.
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